Mudamos para melhor servir

Mudança, sempre necessária. Em tempos de instantaneidade, obrigatória. Por isso, resolvi, mais uma vez, que deveria mudar. Pra melhor, espero. Quem vai me dizer são vocês, prezados leitores. Por isso, a partir de Junho, estaremos com outro endereço, dessa vez registrado oficialmente.

O novo endereço é uma derivação do antigo, www.chicopianco.com.br . Com o registro oficial, se adquire maior visibilidade. Outra inovação é a presença do novo, porém já onipresente Twitter. Pra quem ainda não conhece ou não é familiarizado com ele, a ferramente se propõe a ser um míni-blogue, ou um mini-diário, se assim preferir. Só são permitidos 140 toques por mensagem, oque dá uma boa manchete. Ideal para quem deseja expressar um sentimento, algo que aconteceu durante o dia, ou, no meu caso em específico, manchetes ou notícias. Cadastrei-me e o coloquei em sintonia com o blogue novo. Criou-se, pelo menos ao meu ver, um ar de dinamismo, com notícias em tempo real, contrastando com as crônicas semanais.

Para quem possa interessar, o site foi totalmente exportado para o outro endereço, sem prejuízo em matérias nem em comentários. A aposentadoria precoce (menos de 1 anos para a localidade anterior, http://chicopianco.wordpress.com) não indicou falta de contéudo, e sim acúmulo de funções. Obrigado pelo interesse, e agora conto com o mesmo entusiasmo de vocês no outro blogue, igualmente bom. Até o próximo artigo!

Omissão seria um caso de Impeachment?

Prefeita da Fortaleza bela

Prefeita da Fortaleza bela

De tempos em tempos, a política brasileira passa por “ciclos” de inércia. Inércia e corrupção. São dois os tipos clássicos. Um rouba mas faz. O outro, com preguiça, prefere pagar aos outros para tentar tomar conta do governo, e permanecer inerte. Não rouba, ou rouba muito pouco, mas também não faz nada. Acredito que os dois tipos de políticos, tão acostumados a figurar no imaginário do eleitorado brasileiro, materializaram-se dentre os prefeitos da capital do Ceará durante os últimos governos.

Como exemplo do estilo “rouba mas faz” de ser, nosso finado prefeito Juracy Magalhães. Como o velhinho fez em um mandato! Como roubou no outro! Mesmo assim, sua morte foi motivo de comoção local dentre os fortalezenses, e foi lembrado com muita reverência.

Cito o atual governo como um modelo de inércia. Nossa atual prefeita, Luizianne Lins, foi eleita na primeira vez por representar a mulher cearense. Segundo ela, iria governar para as minorias, os excluídos, homossexuais, pobres. Desde então a violência, a miséria e a condição da cidade como um todo sofreu escaladas dignas de uma Miami nos anos 80. Prostituição, tráfico e assaltos violentos fazem parte da rotina do cidadão menos favorecido, que anda pelas ruas nada seguras de nossa metrópole.

A omissão, que antes parecia encoberta por uma mistura de passagem de ônibus barata com bolsa família, indignamente por ela usada na campanha eleitoral, ficou evidente no segundo governo, que já conta com cinco meses de inatividade. A cidade se encontra à deriva. Alagada,em um trânsito caótico, com ruas intransitáveis, buracos do tamanho de carros, policiamento parco e sem treinamento adequado, a terra de Alencar pede socorro. Não ao governo federal, como nossa bela prefeita tentou, mais uma vez na sua conhecida omissão (ou vontade de não tirar dinheiro do orçamento municipal).Sua tentativa de declarar “estado de emergência” em Fortaleza por causa das chuvas para assim captar recursos federais não colou. Lula está preocupado em segurar os empregos nas indústrias, evitando ao máximo a crise. Pobre prefeita, dessa vez vai ter que realmente trabalhar.

Resolveu declarar aberta a operação tapa-buracos. Segundo ela o asfalto colocado será de boa qualidade. Contrariando o que berra a oposição, não acha que a cidade vive um caos. Acredito que ela saiu do hospital mas ainda não “acordou”. Cuidado prefeita, até cerveja demais dá problema de saúde.

Acredito que os casos em que o povo pede o afastamento de algum governante geralmente se dá devido a corrupção. Falta de ação, descaso com o governo, inércia como intenção deveriam ser também considerados motivos reais para um impeachment. Palavrão americano que na prática significa um afastamento forçado do governo. Nossa cidade merece um governo mais eficiente, com ênfase em resultados, não apenas tolerâncias e falação.Se a omissão ou a inércia se fizeram presentes, é melhor entregar o governo para alguém que faça o que tenha que ser feito.

Se a gana pelo poder que enche de regalias sua comandante for maior que a vontade de sair do governo ou governar, que se faça ouvir um grito de Impeachment perante as massas. Mesmas massas que ajudaram a elege-la no seu primeiro e agora segundo mandato. A mesma massa que votou a favor de uma promessa de não subir a penada passagem urbana, a ser desrespeitada antes do meio do ano, com um considerável aumento. O mesmo povo que votou com medo de perder seu bolsa escola e bolsa família, incentivos do governo federal , falsamente colocado como campanha política, alienando a grande massa votante. Se um governo foi feito com falsas promessas, é de se esperar que sejam falsas também suas ações perante a cidade. E é assim que tem sido feito, regularmente, até então. Até quando? Cabe a nós cobrar providências, e se o caso for merecido, de afastar do governo quem simplesmente está ocupado demais para governar.

Um dilúvio de denúncias.

No final é tudo farinha do mesmo saco.

No final é tudo farinha do mesmo saco.

Um dilúvio de denúncias. Essa semana passou com a sensação de que velhos problemas caducam, mas não saem de perto da esfera política brasileira. O escândalo das passagens aéreas, que traz problemas antigos de corrupção que alguns deputados preferiram dar ares de “favores para a família”. Acho bastante louvável um pai mandar a filha para Paris, ou para o Hawaii, mas com o dinheiro público, que poderia ser utilizado para escolas que profissionalizem jovens brasileiros para estes próprio poderem comprar suas passagens para visitar belas cidades estrangeiras? Francamente, senhores deputados e senadores! É no mínimo um elogio à ignorância alheia pensar que o Brasil ainda vai tolerar esse tipo de crime.

Denúncia do governo de Jackson Lago, no Maranhão. Volta do feudo, capitania hereditária, ou como preferir chamar, para o clã Sarney. Essa semana fiquei sabendo que Roseana está sendo indiciada pelo mesmo crime que tirou Jackson do poder. Inclusive consta uma confissão pública em sua prestação de contas. O ciclo de mentiras e corrupção no governo do maranhão parece nunca se encerrar. Lembro de minha primeira semana na minha temporada de três anos em São Luís. Parecia que eu estava no desenho animado do papa-léguas e do coiote, onde uma empresa sempre aparece: ACME. Lá o palácio é Sarney, a biblioteca é Sarney, ou Murad (casado com uma Sarney). Parece-me que não mudou nada, apesar de tudo.

Gilmar Mendes versus Joaquim Barbosa. Joaquim Barbosa tornou de uma questão técnica um desabafo a todo o sistema judiciário, e em especial ao seu maior atual mandatário: Gilmar Mendes. O acusou de este ser um homem da mídia, que atende a interesses, e o mandou “ir para a rua, para enxergar a vida real”. Gilmar retrucou dizendo que o polêmico ministro do supremo quer trabalhar apenas para as classes por ele representadas. Ministro Gilmar, o também ministro do supremo está errado em trabalhar para negros, pobres, e de baixa renda? Se hoje ele chegou a um alto cargo no escalão do governo, sendo de uma maioria que uma minoria insiste em governar com desdém, ele está errado em simplesmente julgar seus preceitos sobre a ótica dos menos favorecidos? Acredito que os outros ministros preferiram o abafo das “verdades” proferidas por Joaquim Barbosa em uma declaração de apoio a Gilmar, caquético, maniqueísta, do que realmente tomar alguma posição comprometedora.

E isso tudo em apenas uma semana. Certo que o escândalo das passagens aéreas já tem um pouco mais de tempo, porém inclusões de personagens políticas tidas como “honestas” até então figuraram na banda podre do congresso brasileiro. Que o digam Gabeira e Raul Jungmann, tidos como exemplos de caráter íntegro no nosso combalido sistema político.

Do certo fico com a mesma opinião de antes. Somente a educação pode mudar nosso país. Se pessoas puderem ser instruídas com clareza, se souberem interpretar dados de um governo, passado político, coisas importantes e feitas pela massa votante de tantos outros países ao redor do mundo, teremos políticos mais competentes, e, portanto, menos roubalhões. A corrupção é endêmica, e existe em todo lugar. Existe corrupção entre todos os políticos do mundo, mas em grau bem menor. Mas no Brasil parece que se institucionalizou, virou profissão. Triste ver um país admirado por tantos ao redor do mundo entregue a mãos mesquinhas de tão poucos inescrupulosos políticos. Tenho a esperança de que ano que vem possamos mudar um pouco o quadro de quem nos representa tão levianamente no poder.

Mais do mesmo

Me considero isso: um  observador e relator do tempo em que vivemos. Tempo complexo, pertubador, interessante, dinâmico, de crise.

Crise de valores, crise de identidade mundial, crise financeira, crise.

Com o mundo em crise, paramos pra pensar em nossa sociedade, e em nós mesmos. Muitas e muitas coisas para mudar, mas, em geral, é pra isso que a crise serve: para acordarmos, nos modificarmos, e, mais uma vez, como em toda espetacular história do homem sobre a terra, evoluirmos.

Espero que consigamos vencer novamente. Problemas antigos, como a falta de respeito, de amor, de valores, de pudores, volta e meia, ainda especificamente em tempos de tormenta, nos lembra que a maior mudança tem que começar com todos os indivíduos, particulamente, do acordar ao deitar. É um exercício e tanto, requer muita consciência, mas prefiro acreditar que um dia a mudança virá. Nem que essa utopia, a da mudança, me sirva exatamente pra isso: mudar.

Chico Piancó Neto, 20/04/09

Lula, o cara.

Obama elogia Lula em encontro dos vinte países mais ricos do mundo.

Obama elogia Lula em encontro dos vinte países mais ricos do mundo.

Um elogio acima da média. Obama, em mais um momento descontraído, teceu comentários carinhosos sobre nosso presidente. Primeiro disse que adorava esse ” cara”, que ele ” era o cara”, como dizem pelos lados de lá.  Não achando pouco, emendou: Ele é o “político mais popular da Terra”,  em animada conversa com o primeiro-ministro australiano Kevin Rudd, e o carismático presidente Brasileiro.

As declarações afetuosas não pararam por aí. Kevin Rudd acrescentou :  “O mais popular político de longo mandato”, o que fez Lula rir e receber outro elogio do homem mais poderoso do mundo:  “É porque ele é boa pinta”.

Para um encontro com os vinte países mais ricos do mundo, o clima estava bastante descontraído, face à enorme crise financeira mundial. De certo que Obama não é o responsável por ela, mas o empenho deve ser redobrado em situações extremas como a nossa atual. O que vi foi muitas caras felizes, sorrisos estampados, em quase todos os dirigentes, como se nada estivesse acontecendo.

Talvez para os mandatários planetários a vida esteja mansa frente às suas pomposas contas correntes e aplicações. Mas no todo pelo menos uma situação benéfica: O elogio de Obama pegou muito bem para nós, que temos problema com imagem de país sério no exterior. Sinal que, finalmente, somos vistos lá fora como um país que mudou, e que é exemplo na atual conjuntura econômica, e potência no que diz respeito ao meio-ambiente.

Nem por isso devemos nos desligar de nossas lutas para se estabelecer como nação realmente desenvolvida. Queimadas na amazônia ameaçam nossa posição privilegiada no combate ao aquecimento global. A corrupção de todos os níveis e esferas no país nos desmoraliza e contamina nosso sistema como um todo. Nossa educação merece deixar de ser apenas medida pela quantidade de alunos que conseguimos colocar em sala de aula.

Devemos aproveitar nossa atual posição de destaque e angariar mais investimentos internacionais para se obter uma educação de maior qualidade. Sistemas que já funcionam no exterior deveriam ser implementados aqui, realmente não podemos mais querer ser um país capitalista, mas com idéias esquerdistas ultrapassadas e infelizes.

Ciência X Deus

Esta matéria que veio ao meu conhecimento pela revista SUPERINTERESSANTE de março mereceu, primeiramente, meu espanto. Depois, reflexão, que faço após a devida transcrição para leitura de todos:

O marketing ateu

Campanha publicitária tenta provar que Deus não existe

A inglesa Ariane Sherine, 28, estava indo para o trabalho quando viu uma propaganda colada num ônibus de Londres. Era uma citação da Bíblia, acompanhada por um endereço na internet. Ao acessar o site, ela tomou um susto: a página, que pertencia a uma igreja evangélica, dizia que quem não for cristão e não aceitar Jesus será condenado a passar a eternidade nas chamas do inferno. “Peraí. Então quer dizer que 68% da população mundial vai para o inferno? Eu não pude acreditar que esse tipo de idéia estava sendo difundida, em pleno século 21, para assustar as pessoas”, diz Ariane.
Indignada, ela procurou o governo inglês para reclamar da propaganda, mas não adiantou nada. Hora de agir. Com a ajuda dos internautas, ela arrecadou dinheiro para montar uma mega campanha publicitária defendendo o ateísmo e desenvolveu slogans como “Deus provavelmente não existe. Pare de se preocupar e aproveite a vida”, que foram colocados em 800 ônibus de Londres. Como seria de se esperar, a campanha foi criticada por religiosos, e o blog de Ariane (arianesherine.blogspot.com) recebeu centenas de comentários desaforados. Houve até um motorista que se recusou a dirigir o que chamou de “ônibus pagão”.

Mas ela continuou com tudo: recebeu o apoio de Richard Dawkins, um dos maiores cientistas do mundo e ateu praticante, e recolheu R$ 500 mil para colocar 1 000 cartazes no metrô de Londres. E a idéia se espalhou pelo mundo: ateus de EUA, França, Itália, Espanha e Austrália resolveram fazer suas próprias campanhas contra Deus e a religião (veja acima os principais slogans). Ariane, que é jornalista da BBC, diz que seu objetivo não é atacar as religiões, pois a campanha é só uma maneira bem-humorada de tranqüilizar os ateus. “Espero que as mensagens alegrem as pessoas quando elas estiverem indo para o trabalho.”

FONTE: Revista Super interessante de março de 2009.

Não sei quanto aos outros, mas tenho a certeza de que Deus, ou qualquer que seja o nome que convencionamos chamá-lo, existe. Não é de hoje que a batalha Ciência X Religião se faz presente, o que me espanta é colocar Deus no meio disso tudo. As maiores autoridades na ciência hoje admitem a presença de um ser superior, até para explicar o que ela (a ciência) ainda não conseguiu decifrar dos tantos mistérios desse maravilhoso mundo que nos cerca.
Sobre a mensagem considerada inicialmente desaforada pela jornalista inglesa Ariane, afirmando que quem não for evangélico vai para o inferno, me parece ser bem mais uma questão de religião que de existência de Deus. Confesso que para quem tem pouca ou nenhuma cultura espiritual é bem fácil confundir Deus com religião, mas é notório que, várias ceitas ou igrejas se utilizam do baixo nível cultural de seus fiéis para manipulá-los, e, assim, conseguirem de forma mais significativa seu dízimo.

Sempre vão existir “picaretas religiosos”, e isso não quer dizer que Deus simplesmente não exista por causa disso. É elementar demais pensar assim, e foi com base nesse exato princípio que a repórter da BBC começou sua “divulgação pelo ateísmo”. Ela tem todo o direito de expressar sua opinião, mesmo totalmente contrária a tantos (sábio Voltaire já a defendia). O que não vale é manipular muita gente que passa por um momento de crise financeira e de valores, e assim siga para o ateísmo como um momento de desabafo.
Se pretendemos sair de nossos problemas, devemos aliar cada vez mais a ciência e a tecnologia com Deus, como muitos cientistas sérios atualmente o fazem. Richard Dawkins pode ter dinheiro, mas quando se diz um dos maiores ateus do mundo, com sua ciência ateísta, brinca de ser o que mais nega: Ele.

O mar não tá pra peixe

Basta ligar a televisão, e lá está ela. Na revista semanal também. Até no sermão do padre, a crise aparece, com ares condenatórios sobre homes inescrupulosos. Essa semana tive a certeza de que não, não é só mais uma gripe, como foram os tigres asiáticos, como foi o 11 de setembro. Definitivamente, não é.

Recentemente li uma analogia interessante sobre nosso momento econômico desfavorável. Compararam a crise com o que aconteceu no final dos anos 40 em Monterrey, na Califórnia. Famosa por ser a capital mundial da sardinha, Monterrey recebeu enorme publicidade, e, por conseguinte, milhares de barcos pesqueiros exploradores do peixe bastante rentável. Resultado? Em pouco tempo, não havia mais peixes suficientes para tanta gente, pois a capacidade de reprodução da sardinha era muito menor do que a avidez dos pescadores. Monterrey quebrou e só se recuperou oitenta anos depois, com o turismo.

Comparando o que aconteceu com Monterrey com a nossa crise, basta trocar os pescadores por banqueiros, e a sardinhas por ações. Como era algo bastante rentável, choveu de ações no mercado mundial. A famosa seguradora AIG, detentora do triplo índice (AAA) de avaliação em seus papéis, usava seu renome para endossar papéis podres, de origem duvidosa. Com a sua “benção”, todos compravam os papéis por preço abaixo do mercado, porém endossados por uma empresa AAA. Os bancos europeus adoravam, e nessa crise, são os maiores prejudicados, junto com a Islândia, e é claro, os próprios EUA, maiores financiadores da compra de papéis podres que se tem história no mundo.

O resto da história acredito que todos conhecem. Como a AIG é a seguradora número um do mundo, dava seu aval também para financiar e cobrir hipotecas das casas americanas. O estouro imobiliário, as ações fraudulentas e os títulos sem valor foram decisivos para nossa atual conjuntura econômica. Com cada vez mais gente interessada em comprar ações (dinheiro) a preço de banana, logo os problemas dos ativos podres vieram à tona, e o dinheiro (a sardinha) escasseou. Engraçado como agora que percebemos que foi criado no coração financeiro dos Estados Unidos, Wall Street, uma engrenagem mais do que dinâmica para financiar o exagerado e exacerbado crescimento norte-americano, só que financiado por praticamente todos os habitantes (senão todos os bancos, detentores dos recursos dos habitantes) do mundo. Basta dizer que se todos os atuais seis bilhões e meio de habitantes tivessem o consumo dos 300 milhões de americanos, teríamos que ter cinco planetas terras em recursos naturais para poder suprir toda nossa demanda, no estilo americano de ser.

Não sei quanto a vocês, mas estou farto de bancar os erros dos americanos ao redor do mundo.Estou farto deste consumismo desenfreado, estou farto de ver tantas mortes por fontes de energia não-renováveis, cansado de ser alienado culturalmente por Hollywood, cansado de viver em um padrão de vida que me traduz pouco ou quase nada. Graças a Deus moramos no Brasil, e temos uma cultura forte, que embora parca em alguns aspectos, se sobrepõe fortemente com folclore e música de primeiro nível, contribuindo para um menor índice de “americanização”, do que o observado em outros países onde a música e o cinema americano praticamente dominam toda forma de cultura.

Temos que tirar lições do que nos acontece, e aprendermos a ser cada vez mais independentes do pseudo-império. Graças a um conjunto de ações e políticas econômicas, muita sorte e uma conjuntura econômica nacional aparentemente robusta, estamos passando por essa forte turbulência menos vulneráveis do que antes. Já começamos a sofrer com o desemprego, o crédito se encontra mais escasso, preços mais caros no supermercado.

Fico deprimido quando falam para os que querem montar empresa agora que o momento é difícil, de cautela, desmotivador mesmo. Não sei, mas pra mim, em momentos de crise é que nos sobressaímos melhor. Quem diria que depois da crise dos 30, os Estados Unidos pudessem crescer como cresceram? Quem iria adivinhar um plano Marshall, que terminou de alavancar os EUA como potência mundial frente à uma Europa devastada com a guerra? Quem iria adivinhar que o socialismo ia perecer, e que o capitalismo iria se apresentar doente, sem mais se auto-alimentar? Temos de pensar em um sistema novo, mais brando, com ênfase no coletivo, sem desprezar o capital, privilegiando o ser humano e seu meio-ambiente. Difícil? Claro. Impossível? Acredito que não, senão não teríamos tanta gente se esforçando para tanto. Será tarde demais? O tempo dirá.

Terra Brasilis

Esse vem de longe. Diego Mota, amigo meu de Fortaleza, radicado na França a quase 5 anos, não consegue esquecer o sol, ventos , belezas naturais e femininas que permeam nosso belo país, e me mandou esse belo poema, que retrata bem nossa nação:

 

Terra Brasilis

 

Íberos helenizados coexistindo com celtíberos

Escambiando com fenícios cartagineses

até sermos romanizados

 

Doce época, eu sinto, eu lembro

 

Por Constantino cristianizados

Tribos germânicas do norte vieram

Adeus PAX ROMANA, viramos latinos

 

Nas trevas caímos, mas cristãos permanecemos

Mantendo tradições e absorvendo o novo

A luz voltara, renascemos

 

A busca do novo se instensificara

Litorâneos, o mundo girara

 

Ah terra querida! Até ti chegamos

Adeus Lusitânia

Bem vindos à Terra de Vera Cruz

 

Conquistas, batalhas, genocídio…

O melhor e o pior fizemos

para aqui nos enraizarmos

 

Nossa tradição trouxemos

E com os nativos aprendemos

Bem, misturamos-nos

 

Assim evoluímos

Porém, as idéias de nossa antiga terra

nos inspirara, o antigo mundo se foi

 

Aqui mais brilha o sol

Vivemos em liberdade plena

Ao lado da natureza

 

Ó doce terra! Terra querida, terra fértil,

terra bendita, Terra Brasilis

O que estamos fazendo com vós?

 

Vós que nos acolhais

Paraíso a parte

Vosso povo ri, mas também chora

 

Com um sorriso sofrido no rosto

O mesmo rosto que sente a brisa evaporar

as lágrimas que escorrem

depois do sonho carnavalesco

Agora sim, feliz 2009

Incrível como a máxima colocada como título para esse artigo é verdade. Realmente na nossa encantada ilha da fantasia (e agora, frente à crise mundial, ilha de prosperidade) no Brasil o ano novo só começou depois do carnaval.

Falo com a evidência de quem observou o mercado se retrair, comprimir e depois, passados desfiles de escolas de samba (mais pobre em recursos, agora sem financiamento do jogo do bicho), bailes de gala, praias e praças lotadas pela fuzarca geral, começa a trabalhar e produzir. É uma cultura que deve ser esquecida pelo brasileiro, assim como a  clássica lei de Gerson. Pra quem é muito novo, ou não sabe do que falo, faço a questão de explicar: 1970, Brasil tri-campeão mundial. Gérson, então capitão da seleção brasileira, aparece em um anúncio do presto barba da Gillette, dizendo, com todas as letras, que o importante na vida é tirar vantagem. Pode-se imaginar o impacto de tal afirmação no consciente coletivo brasileiro nas décadas seguintes. O típico brasileiro, a pelo menos bem pouco tempo atrás, é um malandro que adora passar a perna em quem quer que seja para ganhar nem que seja um troquinho. O jeitinho brasileiro foi multiplicado, em escala exponencial, por nosso querido capitão metido a garotão, Gérson.

Carecemos de heróis verdadeiros, de revolucionários de verdade, e não de simples filósofos de botequim, pseudamente indignados com a atual situação brasileira. Se por um lado nos beneficiamos com o conjunto de políticas econômicas e sociais implementadas pelo nosso governo nos últimos anos, por outro lado temos uma cultura fortemente enraizada do lucro fácil, do não estudar e sim trabalhar, do levar vantagem em tudo, da gambiarra.

Triste saber que adoramos um feriado, que adoramos um carnaval, uma praia, uma boca livre e o futebol de domingo, mas nos negamos a trabalhar mais tempo pra tentar melhorar de vida, que nos recusamos a realmente lutar por nossos direitos como cidadão, a realmente se indignar com a situação precária do ensino, da saúde e da segurança pública. Não é que não tem jeito, quando queremos realmente conseguimos dá um jeito. A opinião pública é manipulada e distorcida, de comum acordo com os grupos dominantes da televisão e mídia existente em nosso país. Pode parecer lugar comum e discurso antigo falar sobre isso, mas não é. Estamos tão ou mais influenciados como antes.

É fácil perceber raízes desse problema. Com a falta de educação, não conseguimos em nossa população seres críticos. Sem sermos seres críticos, ficamos mais passíveis a aceitar tudo que nos é dito de forma manipulada, disfarçada como verdade. Alguém pode argumentar que nunca tivemos tantos alunos matriculados no país. Mais uma vez concordo, mas com um agravante pior. Nosso ensino é precário, estamos na sala de aula, mas não aprendemos nada, ou aprendemos de forma atrasada, ainda baseado nos preceitos de Paulo Freire, atrasadíssimo em relação a nossa atual conjuntura. O governo se preocupa mais com a formação dos professores universitários do que com os do ensino básico, onde deveria ser o contrário, pois a base se aprende no começo.

Com tantas festas, feriados, carnaval, carnaval fora de época, imprensados, resta pouco tempo pra se basear no que realmente importa. Um exemplo de que a lei e a educação, quando bem aplicados, podem mudar nossa realidade se traduziu recentemente. Foi registrado um decréscimo de 33% nos índices de acidentes fatais no estado do Ceará, no período tipo como o mais violento do ano (carnaval). A punição rigorosa para quem se encontra bebendo e dirigindo deu certo, foi uma lei que “pegou”. Sinal de que precisamos de leis mais fortes, de um nível crítico maior, uma educação maior. É assim em todo país dito civilizado e de primeiro mundo ao redor do globo. Deveríamos tomar tais resultados e exemplos que deram certo para tentarmos mudar e definitivamente ingressarmos no rol dos países sérios. Seria um excelente momento, tendo em vista a reestruturação mundial em progresso. Só que parece ser mais fácil permanecer roubando e alienando, deixando todos levarem vantagem em tostões sem real valor, enquanto poucos dominam, manipulam e roubam milhões, graças a ignorância e pouca criticidade alheia.

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